Uma coisa é mostrar quem manda; a outra é procurar compreender e ser compreendido

Existe uma diferença enorme entre os Potros e Iniciar os Potros. No primeiro caso, o foco principal é mostrar que ali quem manda somos nós. Todo o processo é baseado no conceito de obediência e desobediência. Já na Iniciação, o foco principal está no controle da mente, que se dá por meio da compreensão e da responsabilidade mútua. O cavalo só não nos responde se estiver confuso, não compreender ou ainda não saber como fazer.
Por isso a importância de diferenciar os dois conceitos. Podemos até ter controle do corpo e das patas, mas se não tivermos controle da mente, mais hora menos hora vamos ter problemas. Isto é, não vamos conseguir dirigir aquela energia para onde queremos. Portanto, saber como esse animal opera sua vida e ter consciência da importância e do significado do Instinto de Auto Preservação é fundamental. Esse é o caminho que nos leva a compreender as necessidades internas do nosso potro.

M05Na prática, podemos notar a grande diferença pelas nossas próprias reações. De forma geral, quando alguém não nos obedece, nossa resposta imediata é a punição. Mas, se entendemos que está havendo confusão, falta de compreensão ou ainda falta de ensinamento, a nossa postura é absolutamente oposta. Nesse caso, naturalmente assumimos a postura daquele que quer se fazer entender. É assim na vida, é assim com os cavalos.
Na Iniciação, o potro pode ter dúvidas e escolher o que quer fazer. Quando isso ocorre, simplesmente não recompenso nenhum comportamento que não gosto, mas faço o contrário para todos aqueles que considero adequados e que vão me servir como base para o futuro.
Isso é importante porque quanto menos confusão o potro passar a cada nova fase do Programa de Treinamento, mais possibilidades de suportar as pressões que virão nas performances futuras, tanto no esporte quanto no trabalho e no lazer. Já no conceito , a falta dessa compreensão, na maioria das vezes, faz com que o ser humano use de coerção, punição e imposição por meio da força. O problema é que o “castigo” sempre chega atrasado, criando confusão mental no cavalo.

Limites, Liderança e Discernimento

Devemos sempre lembrar que cavalos se comunicam por linguagem corporal. Eles lêem e interpretam todos os nossos movimentos, gestos e atitudes. Por isso, a importância da “atenção sobre si”, como falamos na edição anterior. Precisamos aprender a responder: o que será que fiz para que ele me respondesse dessa maneira?
Costumo dizer que cada lado do cavalo é um cavalo. Portanto, estamos sempre trabalhando dois cavalos. Isso acontece por causa das experiências que ele teve de um lado e do outro. Em geral, o ser humano aborda os cavalos pela esquerda. Por isso, na maioria das vezes os potros apresentam menos desconforto desse lado.
O importante é estar ciente de que assim que decidimos mudar de lado precisamos nos ajustar às novas circunstancias. É muito importante perceber as diferenças entre os lados, porque só assim vamos conseguir equilibrá-los. Minha responsabilidade é construir um cavalo corajoso e confiante.
Durante o período de Iniciação e Escola Básica (que no meu entender corresponde ao primeiro ano de treinamento), não ensinamos nada especifico. Trabalhamos em cima de generalidades. Boas maneiras e boas experiências são a tônica desse primeiro ano.
Cavalos têm uma consciência muito apurada de tudo que está à sua volta. Acredito que ninguém de bom senso gostaria de tirar deles aquilo que Deus lhes deu de mais importante: a Preservação.
Quero ser o número um da sua lista. Desta maneira, eles vão estar muito mais aptos a me escutar quando algum desconforto acontecer. Por isso, uma das primeiras lições é mostrar a ele onde é o seu lugar e onde é o meu. Acredito que essa é a fase na qual os limites são estabelecidos.

Erros

Na maioria das vezes, quando estamos lidando com cavalos confundimos perseverança e consistência com teimosia. Aprender com os nossos erros talvez seja o elemento mais importante de todo o processo. Mas também podemos sair em busca de boas informações e, dessa maneira, evitar uma porção de erros que já foram cometidos por outras pessoas.
Muita gente chama isso de trabalho; eu prefiro chamar de pesquisa e desenvolvimento. É assim que vamos evoluindo e aprendendo cada vez mais com nossas próprias experiências. Até a próxima!

Eduardo Borba
Revista Horse
Agosto 2009 nº 13

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