“Ele também é um cowboy no sentido de que o seu trabalho é lidar com gado a cavalo. Mas é aí que as semelhanças acabam”.

Para algumas pessoas os termos, buckaroo e cowboy, significam absolutamente a mesma coisa. Apesar das similaridades, existe um abismo enorme entre os dois.

A palavra buckaroo foi o jeito que os norte americanos acharam para falar vaquero, um termo espanhol para designar as pessoas que lidavam com gado a cavalo nos primórdios da Califórnia.

Os vaqueros foram as primeiras pessoas do continente norte americano a lidar com gado a cavalo. Essa Tradição influencioucowboys desde o Oregon até a Flórida.

thumba8d6Por todos os lugares onde se lidava com gado, a cavalo, principalmente no Sudoeste norte americano, pelo menos partes dessa Tradição dos conterrâneos Mexicanos e Espanhóis, foi adotada. Mas, as maiores influencias dessa Tradição foram deixadas numa área no leste do Oregon e ao norte de Nevada, conhecida como Great Basin.

Os vaqueros Espanhóis que trabalhavam gado a cavalo nos primórdios da Califórnia, eram verdadeiros cavalheiros, no sentido lato da palavra. Faziam parte de uma casta de gente muito educada e refinada. Esse período foi conhecido como a Era dos Dons.

Naquele tempo a maioria dos homens que trabalhavam no campo, andava a pé ou tinham animais que puxavam carretas.

vaquero estava a cavalo. Suas roupas e equipamentos refletiam seu status. Sua tralha era feita do mais fino couro com adereços trançados em couro cru, seus freios e esporas refletiam o mais refinado artesanato em prata. Seu horsemanship, inpecavel.

Suas Roupas

O chapéu de copa baixa e abas retas é a primeira indicação de que o cavaleiro que está se aproximando pode ser umbuckaroo. O grande cachecol no pescoço, conhecido como “wild rag”, assim com um bigodão bem tratado vai confirmar sua suspeita. Suas botas são dessas de cano médio e A palavra buckaroo foi o jeito que os norte americanos acharam para falarvaquero, um termo espanhol para designar as pessoas que lidavam com gado a cavalo nos primórdios da Califórnia.

De amarrar, com saltos carrapeta. As esporas adornadas de prata, possuem grandes rosetas com muitas pontas – uma roseta de ação moderada, apesar da sua aparência. Isto é, quanto mais pontas uma roseta tiver e quanto mais perto essas pontas estiverem uma da outra, mais elas dividem a pressão.

Pendurados nessa roseta podem haver alguns pequenos pêndulos de metal que dependendo do ritmo do cavalo, produzem son característicos.

Se o tempo estiver muito frio, o buckaroo pode estar usando de calça de couro, mas quando o tempo está normal ele prefere os chinks, uma variação curta das calças de couro, seu comprimento vai até um pouco abaixo dos joelhos e possui franjas em toda sua extensão.

Sua Tralha

Em geral os buckaroos usam uma sela que a argola da barrigueira é colocada mais perto do centro da armação, dizem que a pressão no lombo do cavalo é distribuída com mais uniformidade. Tendo em vista que passam a maior parte do dia montados. Sendo assim, é mais confortável para o cavalo.

É uma sela que a parte da frente onde vai o pito é mais estreita, uma coisa parecida com a frente da sela inglesa, onde existe os bucking rolls, uma espécie de maneador, isto lhes dá mais mobilidade para abaixar e levantar quando precisam por um bezerro no colo, ou pegar alguma coisa que está perto do chão. O assento é fundo e a parte de trás é alta, dando mais estabilidade ao cavaleiro nos casos de movimentos caóticos ou corcovos.

O pito é grande, sempre coberto de couro cru, couro de mula ou mesmo de sola. Eles nunca usam borracha para cobrir o pito.

Os buckaroos quando laçam enrolam o laço no pito. Eles acham que a borracha é uma ofensa. Já houve gente que perdeu o emprego e gente que não foi admitida por causa da borracha no pito da sela.

Os estribos são cobertos por uma capa que tem abas grandes penduradas, parecendo as asas de uma águia, também podem ser sem a capa e abertos na forma de sino, dando grande conforto para os pés.

Seu laço tradicional é a reata, feito de couro cru trançado, em geral tem dezoito metros de comprimento.

Quando eles laçam e enrolam e acompanham a rês, deixando a reata deslizar no pito, assim vão diminuindo a velocidade do animal laçado até ele parar. Não existe o tranco nesta maneira de laçar, assim como existe naqueles que usam borracha no pito. O buckaroo acha que assim é melhor para o cavalo e para o gado.

Sua tralha de cabeça varia conforme a idade do seu cavalo.

buckaroo, demora para ficar satisfeito com a performance de seu cavalo e então decidir enfrená-lo.

Ele inicia o potro usando bridão, depois de um tempo, passa a usar o hackmore, as rédeas são feitas com a mecate de crina. Um cavalo mais velho estaria usando freio que normalmente é o spade bit com rédeas trançadas de couro cru, chamadas deRomal. Um cavalo que esteja entre estes dois estágios estará usando os dois: hackmore e freio, é uma fase intermediária chamada de quatro rédeas.

mecate , que se pronuncia McCarty pela maioria dos buckaroos, é uma corda feita de crina torcida com aproximadamente sete metros de comprimento.

Ela serve para fazer um par de rédeas fechadas, usadas com bridão e hackmore e a sobra é usada para levar e controlar o cavalo quando a pé, como um cabo de cabresto. Em geral eles a usam passada no cinto. O cavalo nunca é conduzido pelas rédeas fechadas. Quando no chão, o buckaroo deixa-as apoiadas no pito da sela. Assim, quando pela manhã, ele vai montar seu potro, pode exercitá-lo do chão. quando precisa descer por qualquer razão, está com o cavalo na mão ou mesmo quando seu cavalo o derruba no meio do pasto ele tem uma possibilidade grande de continuar tendo algum controle sobre ele.

Com bridão a mecate é usada com duas biqueiras largas de vinte e cinco centímetros mais ou menos, chamadas slobber strap. No caso do hackmore também existe uma maneira tradicional de coloca-la. Quando usando freio, as rédeas são sempre o Romal. Usa-se uma correntinha entre o freio e a rédea, que ajuda dar um balanço proporcionando ao cavalo comprender a intenção do movimento das rédeas.

Seus Cavalos

buckaroo é um seguidor das Tradições do vaquero espanhol.

Uma das Tradições que o buckaroo segue é a de fazer marcas e sinais no seu cavalo que possam distinguir uma fase do treinamento da outra.

O potro que está sendo montado usando bridão ou hackmore, tem o final da crineira (em cima da cernelha) raspado. Quando ele passa a ser montado com quatro rédeas, o sinal são dois tufos de crina de mais ou menos três centímetros de altura, logo a frente da cernelha. Quando o cavalo passa a trabalhar só de freio o sinal é só um tufo de crina na frente da cernelha. Assim, qualquer pessoa pode saber automaticamente em que fase do treinamento o cavalo está.

Outra Tradição que ele segue é a maneira de escolarizar o cavalo.

O potro geralmente é iniciado aos dois anos e meio, quer dizer, indo para os três. Durante dois anos ele vai ser montado de bridão. Depois disso ele passa a ser trabalhado de hackmore. Ele vai ser trabalhado assim até provavelmente os sete anos de idade.

Daí para frente ele segue nas quatro rédeas. Isto é, o cavalo continua sendo trabalhado de hackmore, mas carrega na boca um freio que normalmente é o spade bit ou um half-breed.

Ele vai carregar o freio sem rédeas por uns dois ou três dias, para poder aprender como segurá-lo na boca. Depois disso são colocadas as rédeas no freio, que serão usadas penduradas no pito da sela, por um ano inteiro. O balanço causado pelas correntinhas e as bombinhas do Romal é que vai ensinar o sentido do trabalho para o cavalo.

Conforme o cavalo vai ganhando experiência as rédeas do hackmore vão sendo menos usadas iniciando, assim o cavalo no freio através do Romal.

buckaroo sente que dessa forma o cavalo nunca tem a tendência de abrir a boca para escapar da pressão do freio.

Quando o buckaroo tira o hackmore, o cavalo atua mais pelo jeito do corpo do cavaleiro e o balanço do Romal, do que pela pressão na boca. Agora o buckaroo usa apenas o bosalito, que é um hackmore mais fino, com o propósito de um simples cabresto. É usado com uma mecate mais curta, como se fosse o cabo do cabresto, pois, o cavalo não pode ser nunca cabresteado pelo Romal.

É nesse ponto que o buckaroo sente que seu cavalo está totalmente domado. Nesta fase ele deve estar chegando aos nove anos de idade.

Um cavalo que passa por todos esses procedimentos para ser enfrenado com spade bit ou half breed consegue trabalhar com qualquer freio na boca, mas um cavalo que é enfrenado com um grazer bit, ou qualquer outro tipo de freio, não vai conseguir usar nem trabalhar com um spade ou half breed bit.

O buckaroo

Nem todos os buckaroos vão estar dentro das descrições acima. Alguns deles usam laço de nylon ou polyester ao invés dareata de couro cru. Mas, assim mesmo eles sempre preferem um laço de dezoito metros de comprimento. Alguns também usam botas normais ao invés das de amarrar, assim como os chapéus e as selas.

Como em todos os lugares, em Great Basin os estilos vão e vem também.

buckaroo sempre primou por ser único, isto é, ele sempre apresenta algumas particularidades individuais que fazem a diferença dele para os outros. Ele sabe que é diferente e gosta disso.

É verdade que ele é um cowboy. Mas, sabe como é …

Legendas das Fotos

1- Buckaroos Cody Snyder e Chris Hunt, trabalham para o imenso ZX Ranch perto de Paisley, Oregon.

2- Great Basin, o lugar onde mais existem buckaroos, algumas partes dos estados de Utah, Idaho e Califórnia, mas, é ao norte de Nevada e a leste do Oregon onde existe a maior concentração deles.

3- Enquanto esse buckaroo se prepara para manear seu cavalo, a barrigueira já havia sido afrouxada. Perceba o couro de mula que envolve o pito da sela. Uma espécie de maneador é colocado perto da cabeça da sela. O potro está usando bridão com as tradicionais biqueiras largas e a mecate de crina. O objeto pendurado no afogador da cabeçada é feito de crina, é um espanta mosca chamado de “shoo fly”.

4- Enquanto o buckaroo reúne o gado ele boleia lentamente sua reata. A capa que cobre os estribos, parecendo as asas de uma águia, servindo de moldura para suas esporas de prata, os chinks, (calças de couro curtas) e o chapéu de copa baixa e abas retas mostram a figura do buckaroo clássico.


Texto: Jim Jennings
Inspirado: America’s Horse nov/dez 1998
Versão: Borba
Publicado: Revista da ABQM

Blog Projeto Doma
blog
Dudi Rédeas
dudi-redeas
Assine nossa Newsletter