A família Black foi uma das primeiras a se estabelecer em Bruneau Valley , mais especificamente na região do Owyhee Country, no estado de Idaho.
No inicio do século XIX, Joe Black já era conhecido pela qualidade e quantidade de cavalos que criava e treinava. Vendia cavalos para pecuaristas rancheiros e exercito americano. Alguns governos europeus também compravam seus cavalos para fins militares. Joe Black era um grande horseman e seu trabalho era feito dentro do Horsemanship Californiano Tradicional, trazido pelos espanhóis. Seus cavalos eram iniciados no hackmore, depois iam para as quatro rédeas e finalmente para o Spade Bit( freio tradicional californiano) ele também gostava de usar a Reata(laço comprido de couro).

Martin Black cresceu dentro desse ambiente e faz parte da quinta geração dessa família, que tanto do lado paterno como materno, sempre teve o foco da vida na criação de cavalos e gado.

Seu tio Paul Black gostava muito de competições, na década de 40 se tornou um proeminente treinador de Working Cow Horse da região. Aos 8 anos ele já passava horas observando-o dar aulas a Melvin Jones, de quem mais tarde recebeu muitos ensinamentos.

Aos 10 anos já saia acompanhando seu bisavô Albert e seu tio Paul Black, no trabalho e nas competições que haviam daFeira Anual de Elko, Nevada. Aos doze iniciou seu primeiro potro, aos 14 já tinha iniciado um numero tão expressivo de potros que deixava muito claro para os seus mentores a sua aptidão para lidar com animais jovens.

DarrellDoddPhotos-MartinBlack-09Ainda aos 14 anos encontrou Ray Hunt pela primeira vez. Mesmo sendo um adolescente percebeu que a natureza daquilo que Ray falava lhe fazia muito sentido. Não foi muito difícil para que ele percebesse o sentido daquela filosofia.“Depois de uma serie de experiências desagradáveis, muitos tombos e braços quebrados, eu estava pronto para ouvir”, diz Martin Black. A filosofia e a maneira como Ray abordava o trabalho com cavalos abriu sua cabeça lhe trazendo uma nova luz a respeito do significado de horsemanship e o influenciou profundamente na sua maneira de trabalhar cada cavalo que lhe chegasse.

Saindo por conta própria

Aos 17 Martin saiu de casa e foi morar na Califórnia. Na verdade, queria ficar mais perto de Ray Hunt. Foi nessa época que encontrou vários daqueles que se tornariam seus mentores, como; Gene Lewis que tinha uma abordagem diferente no que diz respeito aos cavalos de salto, em Nevada reencontrou Melvin Jones, Tom Marvel, e Bill Van Norman, pessoas que sempre estiveram interessadas em evoluir a respeito de um significado mais profundo na questão do horsemanship.

Em 1984, aos 24 anos foi contratado como Gerente Geral do tradicional Wine Cup Ranch, situado ao norte do estado deNevada com 1,25 milhões de acres, 15.000 cabeças de gado e mais de 400 cavalos. Nessa época no verão, Tom Dorrance vinha para o Rancho para trabalhar com os vaqueiros e seus cavalos. A cada ano iniciávamos mais de 40 potros e também aprontávamos os nossos cavalos de competição para a Grande Feira Anual de Elko, Nevada. “Aquela foi uma das oportunidades raras da minha vida, passar o verão todo trabalhando ao lado de Tom Dorrance, com muitos cavalos de diferentes níveis”, comenta Martin.

No mesmo ano ele ganhou o Big Loop Contest na cidade de Jordan Valley no Oregon, onde ele compete todos os anos(Big Loop é uma competição em dupla para se laçar cavalos selvagens usando uma armada de 20m, um laça o pescoço e outro as mãos, não é preciso derrubar os animais).

Em 1993 ele começou Iniciar Potros para terceiros e rapidamente já estava trabalhando para treinadores de apartação e cow horse como Don Buttrey e Doug Jordanalem de levar seus serviços aos criadores de puro sangue inglês de corrida do Kentucky. Nos últimos 10 anos iniciou mais de 5.000 potros, incluindo 800 prospectos de corrida.

Martin Black vem construindo sua reputação em cima da diversidade de cavalos que ele trabalha e o mais interessante é que ele usa os mesmos princípios para todos os potros que inicia. Não importa se é um potro que vai para apartação, rédeas ou corrida. As primeiras duas semanas é tudo igual para todos. Ele diz que não existe nada de diferente apesar das diferenças no pedigree. O que importa de verdade é como esses animais foram manejados, muito mais que a linhagem. Essa imagem de que os PSI são espirituosos e irrequietos é por a maioria deles não teve um manejo Básicoque os ajudem a compreender o que é esperado deles, tanto mentalmente quanto fisicamente. Se os QM forem manejados e alimentados igual aos cavalos de corrida eles terão o mesmo comportamento deles.

O nível de confiança do cavalo deve ser a medida das expectativas do cavaleiro e não o nível de performance do cavalo.

A filosofia básica de Martin Black é que a pressão precisa chegar de tal forma que o potro possa perceber que foi ele mesmo que criou aquela situação e agora precisa achar uma saída. Dessa maneira estaremos influenciando o nosso cavalo mentalmente, por que a decisão que estará tomando virá na direção desejada. Na verdade, a atitude do cavalo é determinada pelo Equilíbrio do Alivio e da Pressão. Não podemos deixar que ele se sinta atacado. É isso que constróia sua auto confiança. O sucesso de um Programa de Treinamento é medido pelo tamanho da auto confiança de um cavalo, só assim ele vai conseguir crescer na direção dorefinamento e da precisão.

Ele diz, que não pode existir nada de positivo se o que motiva o cavalo durante uma performance é o medo ou confusão. O que é preciso, e a maioria das pessoas não consegue compreender, é que muito se ganha quando aprendemos “esperar pelo cavalo” e conseguir descobrir o que o esse animal tem a nos oferecer. Essa foi uma grande lição que ele diz ter recebido do lendário horseman Tom Dorrance.

Ser um bom horseman não é apenas saber como funciona a biodinâmica do cavalo, mas também significa ser capaz de saber o que está acontecendo mentalmente e emocionalmente com o cavalo, desenvolvendo nossas habilidades para ler as suas expressões corporais e tentar determinar onde aquele animal está mentalmente e emocionalmente.

Por isso é fundamental perceber quando um cavalo está procurando pelo alivio ou quando está apenas saindo da pressão. No primeiro caso o potro procura mentalmente por um lugar confortável, no segundo quando ele está apenas saindo da pressão ele não está procurando por um conforto, mas sim algum lugar para escapar. Nesse caso ele pode estar intimidado, ou mesmo ressentido.

A pressão motiva o cavalo e o alivio ensina. Mas para que essa pressão seja eficiente é preciso que a ênfase esteja no alivio.Sensibilidade & Timing apurados são absolutamente imprescindíveis para que o alivio tenha significado.

Uma das máximas da boa Equitação e do bom Horsemanship é: “reto, calmo para frente”. Por isso,Martin Black não se cansa de enfatizar, “o cavalo aprende a compensar o peso do cavaleiro transferindo o seu próprio peso para um dos quartos e é por essa compensação que ele vai posicionar sua cabeça e seu pescoço. Se o cavaleiro conseguir compreender o efeito do seu peso em relação ao centro de gravidade do cavalo ele poderá aumentar e melhorar a habilidade do cavalo em se equilibrar durante as manobras e movimentos. Da mesma forma se ele não compreender essa questão ele poderá inibir essa habilidade”.

Martin passa em media 10 dias em cada lugar onde ele é contratado para Iniciar Potros, mas no caso de potros de corrida, ele fica por volta de 30 dias, por causa do numero de animais que nesse caso é sempre muito maior, é normal ele trabalhar de 75 a 100 potros a cada vez. Nesse caso ele sempre envolve as pessoas que vão cuidar desses potros quando terminar o seu prazo. Muitas dessas pessoas são recrutadas por ele como se estivesse formando uma equipe e em geral são pré- adolescentes e adolescentes dos estados do oeste.

O cavalo como um Todo: Físico, Mente e Emoção.

Se eliminarmos a causa o problema vai embora com ela.

A consciência e a compreensão das diferenças de como os seres humanos e os cavalos, operam suas vidas, ajuda Martin Black a comunicar o que ele espera de um cavalo e também como motiva-lo.

Na verdade, cavalos, estão sempre interessados nas suas necessidades imediatas, não planejam e decidem como as pessoas, na maior parte das vezes eles apenas respondem. De outro lado as pessoas tem uma agenda, pensam no futuro, tem um ego e gostam de acumular riquezas. “A motivação numero um dos cavalos é o instinto de auto preservação”, diz Martin Black.

A maior parte das pessoas trabalha com os sintomas que aparecem na parte física (biomecânica). No entanto, se quisermos ser eficientes, precisamos identificar

adequadamente o problema e sua causa, que provavelmente estarão localizados nas duas outras partes a mental e a emocional. A partir daí podemos eliminar a causa e assim ficamos livres do problema.

Um bom exemplo é o uso da gamarra. Se um cavalo trabalha com a cabeça alta, acreditamos que o uso de uma gamarra é a solução. Muitas vezes um puxão rápido ou muito forte é a causa de problemas, como os de levantar a cabeça que poderiam ser evitados com um pouco mais de compaixão, esperando e criando situações onde os cavalos pudessem e preparar melhor. Na maioria das vezes, tudo que os cavalos precisam é de uma mão suave e de um coração compreensivo.

Nos cavalos, traumas emocionais não podem ser deletados.

Martin diz que os piores problemas que ele tem encontrado e que são muito difíceis de lidar, são os problemas emocionais dos cavalos e os efeitos que esses traumas causam neles. Um cavalo submetido a um Programa de Treinamento onde a tônica era o medo, a coerção, a intimidação, a confusão e a frustração, vai ser sempre limitado, por mais que se trabalhe de uma forma onde a compreensão e a construção da confiança seja o foco é muito difícil para ele esquecer aquele passado.

Começamos a trabalhar no sentido de leva-lo a voltar a confiar no ser humano e temos a nítida sensação de que tudo parece estar funcionando e indo bem. No entanto, assim que expomos esse cavalo ao mundo real outra vez ele vai ter um flash back, não importando o tempo que estamos trabalhando e o quanto de confiança ele conseguiu recuperar. O fato é que não estamos trabalhando com uma mente virgem que não sofreu nenhum trauma.

Martin acredita que é muito importante estar consciente dos efeitos do medo, das experiências pós traumáticas e outras pressões mentais, mas também enfatiza é fundamental estar consciente de como as pressões físicas afetam a performance do cavalo.

Alem de todos esses problemas que são causados pela maneira como se foca o Programa de Treinamento de um cavalo, temos que estar atentos para outros tipos de problemas que também aparecem em conseqüência da forma como se foca o Programa de Trabalho dos cavalos, assim como, problemas neurológicos, distensões musculares, estiramento de tendões, luxações de articulações e a falta de cuidados com os dentes. Na verdade, todos esses tipos de problemas podem afetar as respostas do cavalo.

O Mundo do Esporte Eqüestre

Martin Black gosta de participar de competições por causa do desafio e acredita que elas o ajudam a não se estagnar no processo de refinamento no que se refere ao cavalo de função.

“Quero que a competição seja uma boa experiência para o meu cavalo e tento com todas as forças não deixar que um erro possa fazer sombra nas coisas boas que o meu cavalo possa estar tentando fazer. Ao invés disso, quero cada vez mais poder solidificar a confiança nas áreas positivas e quero sombrear as áreas negativas”, diz Martin Black.

Por isso na sua concepção não importa para que tipo de modalidade o potro esta destinado. Tanto faz se ao esporte, trabalho na pecuária ou lazer. Todo o processo tem como ponto de partida a construção da confiança.

Através dos anos Martin conseguiu muitos títulos montando PSI e QM, isso lhe permite fazer algumas observações a respeito do mundo do Esporte Eqüestre.

. Independente do talento natural de cada raça, cavalos são animais de manada e todas as raças, o potro segue a mãe por que precisa da sua segurança, da mesma forma que precisa da segurança da manada.

Muitos aprendem como aumentar ou diminuir a velocidade, esbarrar, virar e fazer mudanças de pé e mão, movimentando-se ofensiva ou defensivamente interagindo com suas mães, seus colegas ou com a manada.

Martin, credita a industria do cavalo de apartação, pelo desenvolvimento da inteligência, capacidade atlética e principalmente o forte instinto de manada, que os cavalos atuais conseguiram, isso na verdade quer dizer, cow sense que em português chamamos de senso de lida.

Se depois que começamos montar os cavalos, pudermos levá-los a vivenciar algumas experiências e relaciona-las às suas experiências passadas podemos ir em direção à confiança que o cavalo ganhou com estas experiências.

Se conseguirmos dirigir a atenção do nosso cavalo na direção da vaca por exemplo, e fazer com que ele se sinta seguro seguindo aquela vaca, ele vai querer ficar com aquela vaca. E também se conseguirmos admitir que muitas vezes atrapalhamos o cavalo por que perdermos a nossa posição saindo do Centro de Gravidade, mas também se aprendermos a ajuda-lo a compensá-lo, permitindo que ele use todo o seu potencial, Físico, Mental e Emocional, para executar aquele movimento, ele não vai ter problemas na posição da cabeça ou de derrubar a paleta ou qualquer outro problema de Equilíbrio relacionado com as experiências do cavalo com o seu cavaleiro.

Quando Martin Black descreve o perfeito Cavalo de Lida ele não o hesita. Temperamento e coração para agüentar o trabalho exigente do vaqueiro, 1,55m + ou –, altura suficiente para um corpo atlético (garupa forte e frente leve) para carregar o seu cavaleiro por um dia de trabalho comprido, poder laçar e segurar animais pesados e habilidade atlética para trabalhar no curral.

Working Cow Horse é o evento que Martin mais gosta por causa da versatilidade que o cavalo precisa para esse evento.

Ele também gosta de Ranch Roping que são feitos em eventos como o dos “Californios” em Red Bluff na Califórnia e o Big Loop do Jordan Valley no Oregon. Onde, todos os anos atua como juiz.

Martin se diz abençoado por Deus por poder viver o que ele mais ama, trabalhar com cavalos e gado. Também tem muito orgulho por estar honrando uma tradição da família que já esta na 5ª geração.

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