Até 1950 mais ou menos, as populações das nossas fazendas de pecuária viviam absolutamente confortáveis sem água encanada dentro de casa, fogão a gás, energia elétrica, e o automóvel. Mas, tinham uma horta, um porquinho no chiqueiro, uma roça de mandioca.

A dinâmica do trabalho dos vaqueiros dessa época era absolutamente primitiva. O gado tinha pouquíssimo contato ou nenhum contato com o ser humano, vivia em pastos nativos enormes, muito mais como um animal selvagem do que domestico. Quando era feito o contato, na verdade era uma grande caçada e o vaqueiro mais valorizado era sempre o mais destemido.

Nos dias de hoje, mesmo tendo todas as condições, são raras as famílias que desenvolvem uma horta, engorda um porco ou mesmo cria galinhas no quintal de casa. No entanto, não conseguem viver sem água encanada, eletricidade; TV, fogão a gás e o carro.

B07Na verdade, não é vagabundagem nem descaso. É que a dinâmica desenvolvida nas fazendas de pecuária daquela época era muito diferente da atual. Se compararmos as duas não é difícil de perceber que a primeira tinha uma conotação fundamental que era a subsistência. As distancias eram enormes, muito mais por falta do carro e de estradas do que qualquer outra coisa.

O fato é que nesse mundo globalizado a dinâmica da subsistência não tem mais o seu lugar. Atualmente, a maioria da população do planeta, se abastece de comida nos supermercados.
Por causa das diversidades próprias do nosso país, não é fácil para o nosso vaqueiro perceber e estar consciente de todas as nuances desse novo contexto socioeconômico.

Apesar da maioria deles participarem dessa dinâmica ao sentarem diante da TV diariamente, muitos deles não sabem nem escrever o seu nome. Isso talvez provoque neles uma consciência distorcida.

O fato é que esse vaqueiro, ainda não acordou ou não foi acordado para poder compreender que nos dias de hoje a Lida de Gado não pode mais ser aquela da grande caçada.
Atualmente a maior parte da carne comercializada no mundo é proveniente de um animal chamado Novilho Precoce. Criado, recriado e acabado em pastos cultivados como agricultura ou em confinamentos.

A transformação econômica que o mundo sofreu nos últimos anos, exige uma nova consciência nos negócios e a pecuária não é diferente de nenhum outro negocio.
Não existe mais nenhuma duvida de que o stress é um fator de grande limitação na performance dos animais, em todos os seus aspectos. Está presente em todas as atividades da pecuária. No manejo do dia a dia, na desmama, nos programas de TE e FIV, nos confinamentos, no embarque e desembarque, etc…

Também é fato consumado que a carne de um animal estressado é nociva a saúde humana. As comunidades mais desenvolvidas tem se preocupado muito com a qualidade de vida e o manejo dos animais que vão fornecer comida as suas populações.
Portanto, é fundamental que o vaqueiro atual saiba como Lidar com o Gado de maneira a reduzir o stress nos animais.
Nas competições de Conformação e Leilões de Elite, só um vaqueiro educado e treinado a respeito das necessidades internas dos animais, é que vai ter habilidade para criar um programa de treinamento, baseado na comunicação e na psicologia, cultivando a sua habilidade para perceber seus medos e suas preocupações, baixando assim, de maneira considerável o nível de stress dos seus animais.

Nos leilões de Elite, é muito comum uma bezerra obter um preço mais alto do que uma vaca formada, só por que a bezerra é domada de cabresto. O valor agregado vem da expectativa de manejo fácil que ela gera.

A Nova ordem da Pecuária

Não se pode negar que a carne bovina sempre teve e terá um lugar de destaque na alimentação da maioria das sociedades.
Atualmente, no mundo todo a industria da carne tem gasto milhões de dólares no desenvolvimento do seu produto, no sentido da qualidade e da aparência. São dados que não podem ser mais ignorados pelos pecuaristas.

O Brasil figura no cenário mundial da carne como o pais que pode fornecer a carne mais saudável do planeta por causa da maioria dos nossos animais comerem capim e não ração balanceada e também pelo nosso baixo custo de produção.
Boi Verde, a Carne Ligth do zebu, são destaques nas revistas e publicidades para o consumo sadio da carne vermelha.

Nos EUA a N.C.B.A (National Cattlemans Beef Association) uma entidade da industria da carne que criou algumas linhas de conduta para informar ao produtor suas novas responsabilidades, ela também criou o selo B.Q.A. (Beef Quality Assurance) O Canadá também já tem entidades do gênero, a C.C.A (Canadian Cattlemans Association) é uma delas.

N.C.B.A e a C.C.A em conjunto com mais um numeroso grupo de entidades de classe vem investindo pesado em pesquisas, ouvindo as preocupações dos consumidores, restaurantes, supermercados etc…

Elementos como a Informatização, Técnicas de Melhoramento Genético, T.E., F.I.V., a qualidade da carcaça e a segurança da saúde da carne, proteção ambiental, bem estar animal, baixo stress, são componentes complexos que estão inseridos na industria da carne atual.

Para que o pecuarista possa fazer parte daqueles que vão participar do mercado mundial da carne vai precisar estar alinhado a essa nova ordem da pecuária mundial.

Esses elementos não podem estar ausentes do dia a dia da pecuária. Por isso, investir pesado na sua Mão de Obra é prioridade.
Na verdade, é o vaqueiro que toca a pecuária, o pecuarista cria as condições, mas o responsável pelo nosso bife de cada dia é o vaqueiro. Por isso, o vaqueiro não pode mais ser essa pessoa que só faz o que quer e do jeito que quer e não gosta de assumir responsabilidade pelos seus erros.

Não se trata apenas de melhorar salários. É uma questão de Escolarização, Consciência e Boas Maneiras. Sem isso não existe a menor possibilidade de mudança real e concreta na mentalidade de todos aqueles que de alguma forma estão envolvidos com o gado. Só assim, terão o respaldo para possam estar comprometidos com essas novas responsabilidades.


Texto: Borba
Inspirado: Cowboys & Buckaroos de Tim O Byrne
Publicado: Revista DBO – Março 2006

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