Para um relacionamento de qualidade entre homem e cavalo exige compreensão do ponto de vista do cavalo, responsabilidade mútua e muita sensibilidade.

Borba, titular do Projeto Doma, é o precursor do Horsemanship de baixo estresse no Brasil. Seu trabalho está entre os melhores, segundo especialistas dos Estados Unidos presentes ao I Congresso Internacional Equus, em Araçoiaba da Serra/SP.

No dia-a-dia do esporte, da fazenda ou do lazer, o cavalo é chamado a executar as mais diferentes tarefas: umas mais simples, outras mais difíceis. A maioria delas exige dele movimentos precisos, corretos, organizados, que testam sua agilidade, força e concentração.

“Acredito que não haja cavaleiro que não queira que o seu cavalo consiga desempenhar todos os movimentos e manobras solicitadas de maneira suave e tranqüila, sem oferecer resistência, compreendendo e ajudando o cavaleiro a executá-las”, explica Borba, do Projeto Doma, um dos mais respeitados especialistas do mundo em horsemanship de baixo estresse, atividade que envolve grande sensibilidade e timing apurado, para que haja relacionamento equilibrado entre o homem e o cavalo.

Borba foi um dos palestrantes mais aplaudidos do I Congresso Internacional Equus, realizado em Araçoiaba da Serra, SP, entre 12 e 15 de janeiro de 2006. O evento, que reuniu especialistas em eqüinos do Brasil e do exterior – particularmente dos Estados Unidos, o maior mercado de eqüinos do mundo, discutiu em profundidade o horsemanship de baixo estresse e outros temas relevantes da integração homem-cavalo.

“Há dois tipos fundamentais de horsemanship: o preventivo (como a vitamina C) e aquele em que se corre atrás do prejuízo (como o antibiótico). Estudamos e praticamos o primeiro, que chamamos de preventivo ou de baixo estresse. Suas premissas fundamentais são a segurança do cavaleiro e a do cavalo. Não há a menor possibilidade de um cavaleiro desenvolver essa linha de pensamento se não estudar com profundidade como esses animais operam suas vidas. É o conhecimento e a prática (tentativa e erro) que possibilita esse tipo de horsemanship. Quanto mais conhecemos a natureza dos cavalos mais fácil fica a interferência no seu comportamento a nosso favor”, explica Borba.

O mais importante e fundamental nessa atividade, ressalta o titular do Projeto Doma, é que o trabalho mais árduo ou mais difícil é aquele feito com o cavaleiro. “Aprender a nos ajustar a cada nova situação que o cavalo nos apresenta, aprender a perceber com antecedência o que o animal fará. Só assim estaremos no timing e então, poderemos encorajá-lo ou desencorajá-lo antes que aquilo que ele ria fazer se concretize. O fato é que o cavalo está o tempo todo falando conosco. Os problemas acontecem por que não somos capazes de traduzi-lo. Portanto, é a maneira como nos ‘apresentamos’ ao cavalo que gerará resistência ou boa resposta”.

Para isso, Borba defende que o ser humano deixe o orgulho de lado e compreenda que o cavalo nunca faz nada de errado e sempre que ele não responde o que estamos querendo é porque ou ele não entendeu, ou está confuso, ou não foi ensinado. “Aumentar a pressão sob um cavalo confuso é o mesmo que riscar um fósforo em um galão de gasolina. Daí, a importância de se perceber o significado do instinto de auto-preservação, que no cavalo é muito forte, alerta Borba.

“O cavalo não tem nada para se defender, a não ser as patas para fugir. Ele só brigará se não puder escapar. Dessa forma, é o ser humano que precisa se transformar, procurando uma maneira de se apresentar que seja compreendida pelo cavalo. Compreender isso, além de nos transformar em melhores cavaleiros, nos tornará melhores pessoas”, ressalta o especialista.

“Não há sensação que supere a perfeita integração homem-cavalo, quando o nível de intimidade e conhecimento entre cavalo e cavaleiro seja tal que não é preciso falar ou cobrar tarefas. Na verdade, funciona como dois grandes dançarinos: os movimentos e as manobras fluem”, explica o titular do Projeto Doma, que durante a sua apresentação no I Congresso Internacional Equus foi saudado pelos especialistas norte-americanos presentes.

Altair Albuquerque – Texto Assessoria


Texto: Altair Albuquerque

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